Ação
conjunta entre Unimed Rio Verde e Unimed Goiânia foi decisiva para agilizar
procedimento raro, realizado dentro do Hospital Unimed Rio Verde
Crédito: arquivo pessoal
Pela primeira vez em Goiás, os órgãos de um
recém-nascido foram captados para transplante, em um procedimento viabilizado
pela integração entre duas cooperativas médicas do sistema Unimed. O caso
aconteceu no dia 17 de setembro, após a confirmação da morte encefálica de um
bebê de 29 dias, internado na UTI Neonatal do Hospital Unimed Rio Verde. Com a
autorização da família, os rins foram captados por uma equipe especializada e
encaminhados para transplante em um paciente compatível de outro estado. De
acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), ele é o doador mais jovem
já registrado em Goiás, e o transporte dos órgãos foi feito em voo comercial
que saiu do Aeroporto Internacional de Goiânia Santa Genoveva.
Nesse caso, a Unimed Rio Verde cedeu
gratuitamente a estrutura necessária, em uma articulação conduzida junto à
Unimed Goiânia, seguindo um dos princípios do cooperativismo: a
intercooperação, enquanto a Central Estadual de Transplantes enviou a equipe habilitada
para a captação. A gerente estadual de Transplantes da Secretaria de Estado da
Saúde (SES-GO), Katiuscia Christiane Freitas, pontua que a decisão evitou um
risco significativo para o bebê. "Transferir um doador de hospital,
principalmente na idade deste bebê, é muito arriscado, porque a pessoa em morte
encefálica pode ter uma parada cardíaca a qualquer momento. Ter a estrutura de
um hospital como o da Unimed Rio Verde disponível para esse tipo de
procedimento fez toda a diferença para a segurança do processo", explica.
Katiuscia esclarece ainda que o diagnóstico
de morte encefálica pode ser aberto a partir de sete dias de vida, seguindo
resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), mas os critérios para essa
faixa etária são mais rígidos que os aplicados a adultos. "São necessários
dois exames clínicos, com intervalo de 24 horas entre eles, enquanto em adultos
esse intervalo é de apenas uma hora. Também é exigida uma avaliação
complementar, que em bebês costuma ser o eletroencefalograma, além da
confirmação da causa da lesão neurológica", detalha.
Intercooperação entre unidades
A captação contou com a integração entre as
equipes, segundo o urologista cooperado da Unimed Goiânia, Dr. Julio Resplande,
que se deslocou até Rio Verde para realizar o procedimento. "A atuação
integrada entre as Unimeds foi fundamental para que a captação pudesse ser
realizada no próprio Hospital Unimed Rio Verde. O tamanho do bebê trouxe um
desafio adicional para a manutenção dos órgãos, mas o resultado foi positivo,
com a satisfação de saber que outra pessoa foi beneficiada. O procedimento teve
duração aproximada de 1h30 e envolveu 15 profissionais, entre as equipes
responsáveis pela atuação cirúrgica e pela perfusão dos órgãos", relata.
Para o presidente do Conselho de
Administração (CONSAD) da Unimed Goiânia, Dr. Washington Luiz Ferreira Rios,
que atuou diretamente na interlocução com a Unimed Rio Verde, o caso mostra a
força do cooperativismo médico. "Esse caso resume o que o cooperativismo é
capaz de proporcionar quando as unidades atuam de forma integrada. A agilidade
entre Rio Verde e Goiânia foi determinante para que a captação acontecesse
dentro do prazo, e isso só foi possível pela estrutura que construímos como
sistema Unimed", destaca.
Diretor-presidente da Unimed Rio Verde, Dr.
Márcio Emrich Campos acompanhou o caso na unidade e destaca a decisão da
família diante do momento de perda. “A decisão da família de autorizar a
doação, em um momento de profunda dor, merece nosso reconhecimento e respeito.
A UTI Neonatal do Hospital Unimed Rio Verde ofereceu toda a estrutura
necessária para o atendimento da criança e para a realização do processo de
doação, que resultou na primeira captação de órgãos nessa faixa etária
registrada no estado. O caso também reforça a importância de ampliar o
conhecimento da população sobre a doação de órgãos e sobre os mecanismos
necessários para que esse gesto possa beneficiar outras pessoas. Para a Unimed
Rio Verde, é motivo de reconhecimento o trabalho realizado pelas equipes
envolvidas e a decisão da família”, ressalta.
Para o diretor-presidente da Unimed Goiânia,
Dr. Lueiz Amorim Canedo, esse tipo de ação expressa o propósito que sustenta a
atuação da cooperativa. "Um caso como esse nos lembra por que escolhemos a
medicina: para estar presente exatamente no momento em que uma vida pode se
transformar em esperança para outra. Cada profissional envolvido nesse processo
carrega consigo a responsabilidade de honrar a decisão dessa família",
sublinha.
Um exemplo para o cooperativismo goiano nos
70 anos da OCB/GO
A intercooperação é um dos sete princípios
que orientam o cooperativismo em todo o mundo, e prevê que diferentes
cooperativas trabalhem juntas, compartilhando recursos, conhecimento e
estrutura, para ampliar sua capacidade de atendimento à sociedade. Casos como
esse mostram, na prática, a força desse princípio, segundo o presidente do
Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira.
"Quando cooperativas atuam de forma
integrada, compartilhando recursos, experiências e capacidades, elas ampliam
seu potencial de atendimento, permitindo que conhecimento, estrutura e
expertise sejam compartilhados em favor de um objetivo maior. Neste caso, a
união de esforços entre a Unimed Rio Verde e a Unimed Goiânia foi fundamental
para viabilizar uma ação de grande complexidade, que exigiu conhecimento
técnico, agilidade e estrutura especializada", avalia.
O presidente reitera ainda que a ação tem
valor simbólico para o cooperativismo do estado. "Esse caso representa um
marco para o cooperativismo goiano, não apenas pelo caráter inédito da doação,
mas também pelo exemplo de solidariedade, compromisso com a vida e
responsabilidade social que carrega", completa.
A iniciativa ganha relevância também pelo
momento em que ocorre: em 2026, a Organização das Cooperativas Brasileiras no
Estado de Goiás (OCB/GO) completa 70 anos de atuação. Fundada em 1956, a
entidade reúne atualmente mais de 670 mil cooperados em cerca de 300
cooperativas associadas no estado, com impacto direto e indireto sobre 2,5
milhões de pessoas e faturamento anual superior a R$ 31 bilhões, o equivalente
a cerca de 10% do PIB estadual.




