Mudanças nos horários, interrupção das terapias e quebra da previsibilidade podem provocar crises e regressões temporárias
Com o fim das férias escolares, muitas famílias iniciam uma nova adaptação para o retorno às aulas. No caso de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) essa transição exige atenção redobrada. A interrupção da rotina e dos horários habituais podem provocar desregulação emocional, alterações comportamentais e até regressões temporárias no desenvolvimento. Para minimizar esses impactos, especialistas defendem um planejamento antecipado e uma retomada gradual das atividades.
Segundo a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, a previsibilidade é um dos pilares do desenvolvimento da pessoa com TEA. "As crianças precisam de uma rotina fixa porque ela oferece segurança. Quando essa rotina é interrompida, elas perdem essa referência e acontece a desregulação. É nesse momento que surgem as crises", explica. A especialista afirma que, mesmo quando as famílias procuram flexibilizar os horários durante as férias, é comum observar aumento da irritabilidade, agitação, choro e maior resistência às mudanças.
Karina alerta que essas regressões podem persistir mesmo após o retorno das atividades. "É muito comum ocorrer regressão temporária e, infelizmente, muitas vezes ela demora para desaparecer. Por isso, o ideal é que a família tenha um plano de férias estruturado e, sempre que possível, não interrompa as terapias", orienta. Quando isso não é possível, ela recomenda preparar a criança para a volta às aulas com antecedência, utilizando calendários, pistas visuais e explicações compatíveis com o nível de compreensão de cada paciente. "A adaptação deve ser gradual. Retomar todas as atividades de uma vez pode sobrecarregar a criança."
Sidneia Pereira, mãe de Daniel Pereira, de oito anos, diagnosticado com TEA nível 2, conta que manter a rotina é determinante para o equilíbrio emocional do filho. “Quando a rotina é alterada, ele fica mais nervoso, grita e tenta chamar atenção constantemente”. Durante as férias os atendimentos terapêuticos foram mantidos e atividades foram organizadas a fim de manter o equilíbrio emocional da criança.
Os resultados desse acompanhamento aparecem na evolução conquistada ao longo dos anos. Antes do tratamento, Daniel não se comunicava verbalmente, não conseguia utilizar talheres, não permanecia sentado durante as refeições e apresentava dificuldades em atividades básicas do cotidiano. “Hoje ele consegue beber água sozinho, toma banho sem ajuda, segue horários estabelecidos e segue uma rotina. São pequenas conquistas que representam uma enorme evolução”, comemora a mãe. Ela lembra que ouvir o filho chamá-la de "mãe", aos sete anos de idade, foi uma das maiores recompensas de toda a caminhada.
A participação da família também é apontada como parte indispensável do processo terapêutico. Sidneia afirma que aprendeu a estimular a autonomia do filho dentro de casa. "Eu achava que tinha que fazer tudo por ele. Quando entendi que precisava deixar o Daniel se desenvolver, ele começou a evoluir." O envolvimento do irmão mais velho e do pai também fortalece o desenvolvimento da criança. "Não adianta fazer só na terapia. Tem que fazer em casa também", resume.
De acordo com a psicóloga, o sucesso da readaptação depende do trabalho conjunto entre família, escola e equipe multidisciplinar. Karina destaca que as instituições de ensino também precisam compreender esse momento de transição. " Nesse momento de volta às aulas, a escola deve ter um olhar mais empático, permitir uma adaptação gradativa e entender que, nesse período, a criança pode apresentar crises. Quando todos caminham na mesma direção, os impactos da volta à rotina são menores e o desenvolvimento da criança continua acontecendo de forma mais segura”, conclui.
Sobre a Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.




